Segunda-feira, 28 de Julho de 2008

Batman - O Cavaleiro das Trevas

Batman – O Cavaleiro das Trevas tem um único defeito. O público. Ao menos, o público da sessão em que eu fui conferir o filme com a Sra. Gordon, este final de semana. Na verdade, o problema é que o filme, como produto, é um blockbuster americano de verão – leia-se: cinemas abarrotados de adolescentes – e, enquanto, como filme, ele é denso e complexo. Ou seja, a platéia não combina com o filme.

E, por isso, da mesma forma que aconteceu com o último grande fenômeno nos cinemas, Tropa de Elite, a principal força motriz do filme deixou de ser compreendida. Enquanto o Capitão Nascimento virou, simplesmente, fonte de expressões como “pede para sair” e “fanfarrão” (e o público pouco se importou em entender um pouco a psicologia amarga do personagem e o contexto em que ela surge), o mesmo acontece com Batman – O Cavaleiro das Trevas e, obviamente, com seu vilão, o Coringa.

Na verdade, a culpa disso – falando exclusivamente de Batman – é de décadas e décadas de histórias em quadrinhos que colocaram o Coringa como um personagem tão ameaçador quanto engraçado. E sua faceta mais famosa do grande público – a interpretação de Jack Nicholson no filme de 1989 – somente ajuda a reforçar isso. E é justamente essa a grande vantagem de O Cavaleiro das Trevas sobre qualquer outro filme do Batman (ou, arrisco a dizer, sobre qualquer outra adaptação recente de quadrinhos): um vilão que realmente faz a platéia sentir medo.

O Coringa de Heath Ledger é um desequilibrado. Mas, diferente do Coringa de Jack Nicholson, ele é um desequilibrado perigoso e ameaçador. Nenhum centímetro nele é engraçado. Nenhuma frase, nenhuma atitude, nenhum gesto nele é engraçado. Você simplesmente não sabe o que ele irá fazer o minuto seguinte, mas tem a certeza de que alguém (um personagem, uma cidade ou talvez até mesmo você) será prejudicado, no mínimo, moralmente.

E isso se deve somente à interpretação de Heath Ledger, que simplesmente desaparece dentro do personagem. Cada detalhe usado pelo ator na construção personagem – como os movimentos que faz com a boca, sua entonação de voz, o andar curvado e o olhar ensandecido – trabalham com um único propósito: fazer a platéia sentir medo.

Afinal, somente o medo de um vilão justifica a confiança que depositamos em seu oposto: um herói. O único propósito de Batman no filme é se colocar entre a platéia e o Coringa, tornando a experiência um pouco mais suportável para quem assiste ao filme. Sim, porque heróis não fazem sentido sem possuírem vilões à altura e a relação entre Batman e Coringa, nos quadrinhos, sempre elevou essa idéia à máxima potencia.

Os dois são exatamente iguais – neuróticos e obcecados, praticamente anomalias sociais, cada um ao seu modo – mas acabam sendo lados opostos da mesma moeda. Esta idéia gira em torno de todo o roteiro do filme. Batman é um Coringa com regras, enquanto o Coringa é um Batman que age por instinto, e não racionalmente. Batman é um agente da ordem, e o Coringa é um agente do caos, mas a obsessão dos dois pelo que fazem é semelhante. No filme, esta dualidade entre os dois está em toda a obra e é sintetizado abertamente pela figura do promotor Harvey Dent – que, além de escancarar essa idéia jogando cara ou coroa durante o filme inteiro – deixa de ser o Cavaleiro Branco de Gotham após ser corrompido pela loucura do Coringa. Sabemos que o Cavaleiro das Trevas do título é o Batman (e sabemos disso somente por causa da clássica minissérie de Frank Miller), mas ele poderia muito bem ser Harvey Dent após a sua “queda” (o que o colocaria como personagem central do filme). Ou, claro, O Cavaleiro das Trevas poderia ser, também, o Coringa, que personifica todo o mal. Em suma, a Gotham City do filme é habitada por cavaleiros das trevas. A única diferença entre Batman e os outros é que ele e sua obsessão, por acaso, protegem a platéia.

Mas Batman – O Cavaleiro das Trevas não existe sem o Coringa. Em determinadas cenas com o personagem, eu, morador de São Paulo, senti o mesmo embrulho no estômago que sofri nos famigerados dias dos ataques do PCC à cidade. E isso apenas por um motivo: pela imprevisibilidade dos ataques do vilão. Um exemplo é a cena do hospital – se você não viu o filme, saberá do que estou falando. Elas mostram uma cidade totalmente (totalmente mesmo) à mercê de um criminoso, e a imprevisibilidade deste mesmo sujeito faz com que você se sinta acuado em todos os momentos – esteja do lado de lá ou de cá da tela. O Coringa não é mais um vilão, é um terrorista – e a cena em que ele tortura uma pessoa vestida de Batman e exibe isso em vídeo deixa isso claro. O Coringa de Heath Ledger consegue ser pior que o Coringa da graphic novel A Piada Mortal.

O Coringa de Heath Ledher é o vilão quintessencial dos quadrinhos. E é o vilão mais ousado politicamente falando que o cinema criou nos últimos anos.

Infelizmente, para a platéia perceber isso, é necessário um pouco de QI, coisa que anda em falta. Quase levantei para brigar com as pessoas no cinema quando elas começavam a rir nas cenas em que o Coringa aparecia. Será que as pessoas não conseguem entender que ele é ameaçador, e não engraçado? Mas não foi preciso, o próprio Heath Ledger fez isso por mim. Nas primeiras cenas, as pessoas davam risada. Da metade do filme para frente, as poucas risadas em que se ouvia nos cinemas eram nervosas.

Mas claro que esse medo não impediu a criatura boçalizada que estava ao lado da Sra. Gordon de atender a porra do celular no meio do filme. O que deixa no ar a pergunta: se atendeu ao telefone para falar que “não pode falar porque está no cinema”, porque atendeu ao telefone? Afinal, o ato de desligar o celular meio que deixa implícito que você não pode falar naquele momento.

Pensando sobre isso, não consigo tirar a frase que o Coringa usa para se descrever em determinada cena: “eu sou como um cachorro que corre atrás dos carros, eu não saberia o que fazer se alcançasse o carro”. O grande público estava há anos – talvez desde o terceiro O Senhor dos Anéis - correndo atrás de um blockbuster com essa qualidade. Mas, agora que ele chegou, elas não sabem o que fazer com ele.

Palmas para o sujeito que atendeu o celular no meio do sério candidato a filme do ano, e que provavelmente vai descrever o filme como “bem lôco” e o Coringa como “muito lôco”. Infelizmente, hoje os filmes são feitos para este sujeito. O mundo – ou, ao menos, grande parte dele – não merece um filme como Batman – O Cavaleiro das Trevas.

Segunda-feira, 24 de Março de 2008

Nip/Tuck - 4ª Temporada

Nip/Tuck é uma série que sofre de um problema gravíssimo: o excesso de seriados que abordam crises de meia-idade e as dificuldades de relacionamento e comunicação experimentados por pessoas que levam vidas aparentemente perfeitas, que são uma das maiores tendências da TV atual. Com isso, a série, que tem como pano de fundo o universo das cirurgias plásticas, acaba não tendo o destaque devido, tornando-se muito mais cult que pop – e o modo quase explícito com que as cirurgias e o sexo são tratados contribuem para isso.

Felizmente, isso não atrapalha a série. Pelo contrário, o fato de ela não ser uma mania como 24 Horas, House ou Heroes, mas contando com público fiel, permite que os roteiros continuem afiados e, o que é melhor, sem abrir nenhum tipo de concessão em nome da audiência. Uma prova disso é a quarta temporada, recém-lançada em DVD no Brasil, que se configura num dos melhores dramas da televisão do ano passado.

Novamente, o foco central é dividido igualmente entre os dois protagonistas, os cirurgiões e sócios Sean McNamara e Christian Troy. Milionários e bem-sucedidos profissionalmente, a vida pessoal de ambos é um lixo, ao contrário do que as aparências mostram. Enquanto o primeiro tenta viver de forma responsável, mantendo um casamento (mesmo cercado de tentações) e criando seus filhos, o segundo é um conquistador sem sinais de escrúpulo e pula de cama para cama (às vezes, mais de uma vez por episódio). Aliás, Troy é um dos personagens mais fortes da atualidade: ao invés de ser apenas um galã cafajeste unidimensional, o ar sombrio e amargo que Julian McMahon empresta ao cirurgião enriquece demais a personalidade do personagem, tornando-o um dos pontos altos do seriado.

Na quarta temporada, esses dois fatores (a suposta respeitabilidade de um e a amoralidade do outro) são levados ao extremo numa série de episódios que parecem resumir tudo o que aconteceu nos anos anteriores, dando a idéia de que um enorme arco de histórias foi fechado – o que torna recomendável assistir às outras temporadas antes. Com isso, claro, sobra espaço para as tradicionais bizarrices da série – que já, abordou assuntos como transexualismo, tráfico de drogas, seriais killers e neonazismo. O pacote da vez inclui deformidades físicas, tráfico de órgãos e, num lance arriscado, cientologia, um assunto que poucos filmes e séries têm coragem de abordar.

O diferencial da série (além da força de seus personagens centrais) é a elegância de sua narrativa. Os episódios são escritos e dirigidos com uma qualidade superior a muitos outros dramas da TV, e isso e apresentado com uma regularidade invejável. Aliás, esta quarta temporada ousa mais que as anteriores nesse sentido, sobretudo mostrando um episódio ambientado em 2026. A idéia não é nova. Diversos seriados, independente do gênero, apresentam um episódio esporádico numa época diferente, mostrando o futuro ou (normalmente) o passado dos personagens. Porém, com a exceção de Lost, todos fazem isso como uma enorme brincadeira que, se explica as atitudes dos personagens centrais, não acrescenta muito à trama. Nip/Tuck, por sua vez, transporta a ação duas décadas à frente dos roteiros para, corajosamente, apresentar uma das mudanças mais drásticas na vida de um dos personagens desde o início da série, já entregando suas conseqüências – e, obviamente, o fato de será irreversível.

Porém, se a série não abre concessões nos roteiros para ganhar mais público, a recompensa vem de outra forma: participações especiais. Catherine Deneuve, Richard Chamberlain, Jacqueline Bisset, Peter Dinklage e até mesmo Alanis Morrisette são alguns dos nomes que desfilam pelo cast da quarta temporada, tornando a série ainda mais elegante e divertida para o público, que começa a caçar as personalidades que surgem em cada episódio. E o número de celebridades deve aumentar ainda mais com o gancho final da temporada, que transporta os dois cirurgiões para a meca das celebridades americanas. Ou seja, o público pode esperar mais sexo e mais bizarrices no próximo ano, que promete fôlego renovado – desde que o seriado não se perca como tantos outros que resolveram mudar radicalmente sua trama central e acabaram se auto-destruindo.

Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008

Prison Break - 2ª Temporada

Hoje em dia ninguém investe tanto (e tão bem) em séries de ação como a Fox. A emissora, além de exibir as aventuras de Jack Bauer em 24 Horas – a maior grife do momento – detém os direitos de quase todas as outras opções para quem procura alternativas no gênero. E, deixando 24 Horas de lado, o carro-chefe da emissora é Prison Break, que, logo em sua primeira temporada, arregimentou um enorme número de fãs cativos.

Justamente por isso esta segunda temporada dá um passo corajoso e arriscado ao mudar toda a estrutura da trama, colocando os personagens principais do lado de fora dos muros do presídio de Fox River – vale lembrar que a primeira temporada se encerra justamente na fuga. E esse é o grande problema da segunda temporada, já que o diferencial do seriado eram justamente as cenas ambientadas na prisão.

Entretanto, isso está longe de ser um grande defeito, já que a segunda temporada, apesar de inferior a primeira, ainda consegue manter o interesse do espectador, graças especialmente a dois fatores: Robert Knepper e William Fitchner. São os dois atores que conseguem compensar a mesmice das cenas de ação (pois, fora da prisão, a série virou “mais um” seriado de ação) e a falta de coerência (e de graça) da suposta trama governamental por trás da prisão de Lincoln Burrows.

Knepper, que interpreta o presidiário Theodore “T-Bag” Bagwell, conseguiu criar um dos personagens mais maravilhosamente sórdidos da televisão: bissexual, pedófilo, totalmente desequilibrado e amoral. Como se não bastasse, o ator utiliza ainda de maneirismos e um sotaque sulista carregado que chega a causar nojo no espectador. Entretanto, basta o ator ficar mais de alguns minutos sem aparecer na tela para sua ausência começar a se refletir no episódio.

Além disso, vale ressaltar que, ele é o responsável por muitas das subtramas da segunda temporada, já que cabe aos outros personagens normalmente reagirem às suas ações. A iniciativa sempre é dele – e é sempre a pior iniciativa possível. Isso já se manifestava dentro do presídio na primeira temporada, mas, neste segundo ano, a importância do personagem fica cada vez mais explícita. Sem dúvida, um dos melhores vilões da televisão – e o melhor da série, devido a incapacidade dos roteiristas em amarrar a trama política de forma satisfatória.

O outro ponto dorte deste ano é William Fitchner, nem tanto pelo seu personagem, mas mais pelo seu talento em si. Veterano do cinema, onde atuou em filmes como Mar em Fúria e Crash – No Limite, o ator normalmente rouba para si todas as cenas em que aparece, especialmente quando contracena com Dominic Purcell, que empresta ao seu personagem Lincoln Burrows a expressividade de um lustre. Wentworth Miller, que interpreta Michael Scofield, também está longe de ser um ator de destaque, mas se sai bem com o personagem calado e introspectivo.

E, apesar de um gancho razoável para a terceira temporada, fica claro que o próximo ano será decisivo para o seriado. Afinal, será em 2008 que descobriremos se Prison Break foi uma “série excelente de uma temporada” ou uma “série regular de várias temporadas”. Se mantiver o ritmo da segunda temporada, a última alternativa é a mais provável, já que nem mesmo Knepper ou Fitchner conseguirão, sozinhos, manter a qualidade da série.

Eu Sou a Lenda

Will Smith é um ator que, aos poucos, ganhou meu respeito. Ao invés de manter-se dentro de um terreno seguro, estrelando apenas superproduções vazias e repetitivas, o ator construiu uma carreira sólida, buscando novos desafios e projetos mais complexos, sejam eles mais pessoais e modestos (como Ali) ou mesmo em blockbusters. Esse é o caso de Eu sou a Lenda.

Baseado no livro de Richard Matheson (que já havia rendido duas adaptações para o cinema, uma com Vincent Price e outra com Charlton Heston), Eu sou a Lenda mostra um futuro aterrorizante para a humanidade. Após um tratamento que teoricamente poderia curar o câncer dar terrivelmente errado, a humanidade é devastada e os poucos sobreviventes tornaram-se um misto de zumbis e mortos vivos, que se escondem durante o dia e, à noite, saem para caçar outros humanos.

Nesse cenário caótico, Smith é Robert Neville, que talvez seja o único sobrevivente. Morando numa Nova York assustadoramente vazia (ao lado de sua cadela Sam), ele divide seu tempo entre pesquisar uma cura para o processo biológico responsável pela mutação, encontrar outros sobreviventes e, claro, sobreviver aos ataques das criaturas, transformando sua casa numa verdadeira fortaleza.

Partindo dessa premissa simples, o diretor Francis Lawrence conseguiu arquitetar um filme que transita por inúmeros gêneros. O roteiro passeia, obviamente, pela ficção científica e terror, mas não se mantém a esses dois campos, namorando o drama ao abordar o cotidiano de um homem que tenta não enlouquecer com a responsabilidade de ser o único de sua raça no planeta. E, nesse aspecto, Smith corresponde à expectativa, emprestando profundidade a um personagem que poderia funcionar apenas nas cenas de ação e que passa boa parte do filme contracenando apenas com um cão.

Mas o grande atrativo de Eu sou a Lenda é a sua atmosfera. O diretor Francis Lawrence, que já havia mostrado talento em Constantine, dá liberdade para o personagem de Smith crescer por meio da interpretação do astro, preferindo-se concentrar no mundo desolado que o cerca. E, nesse aspecto, o filme é um show visual, com uma Nova York que começa a perder espaço para a natureza, sendo tomada por plantas e animais selvagens, que passam a dividir o ambiente com ruínas de prédios e carros abandonados.

Mesmo mantendo a tensão até o final (e com a entrada em cena de Alice Braga, talvez a única personagem brasileira natural de São Paulo a figurar num grande filme hollywoodiano), o filme perde um pouco em sua segunda metade, especialmente em sua conclusão um tanto quanto apressada. Mas o resultado final é satisfatório, mesmo que inferior ao livro original. Chega a ser irônico que a tarefa de mostrar que ainda existe vida inteligente nos blockbusters seja responsabilidade do astro dos acerebrados Bad Boys e As Loucas Loucas Aventuras de James West.

Desperate Housewives - 3ª Temporada

Muita gente fala que a primeira temporada de Desperate Housewives foi a única que prestou em toda a série. Isso é uma meia-verdade. Sem dúvida, o primeiro ano foi o melhor de todos até agora, com um tom sombrio e doses de humor negro que não os produtores e roteiristas não conseguiram repetir nas temporadas anteriores. Mas, daí a dizer que o segundo e terceiro anos não possuem seus méritos é totalmente equivocado.

Realmente, o segundo ano perde-se ao tentar (sem sucesso) criar uma nova trama de mistério, seguindo a receita que havia dado certo na primeira temporada. Porém, o terceiro ano da série inova ao criar uma série de pequenas tramas com o mesmo peso para cada uma das personagens, sem seguir um foco narrativo principal. E isso funciona na maior parte do tempo, tornando a temporada mais ágil e interessante (e permitindo que os roteiristas possam mudar algo que não esteja dando certo sem grandes problemas).

Com isso, o público é presenteado com tramas de todos os tipos e formatos: cômicos, românticos, dramáticos etc. Isso, aliado ao carisma das quatro personagens centrais – e de muitos dos coadjuvantes –, se não tornam o terceiro ano do seriado memorável, conseguem mostrar que a série ainda tem muita lenha para queimar, ao contrário do que os críticos de plantão insistem em afirmar, dizendo que o seriado se perdeu completamente.

Independente desta nova estratégia dos roteiristas, o seriado conta com um grande trunfo que mais que justifica uma visita: Felicity Huffman. Apesar de o elenco inteiro estar extremamente afiado, a intérprete de Lynette se sobressai engolindo todas as cenas em que aparece. A naturalidade e a profundidade que ela empresta à sua personagem mostram que, sem sombra de duvida, trata-se da maior atriz que a televisão vê em muito tempo. Uma amostra disso é o excelente episódio em que ela é mantida como refém num supermercado, que é, certamente, o melhor da história do seriado – e muito graças ao trabalho da atriz.

Dos outros personagens, o destaque fica para Nicolette Sheridan, mesmo com as participações de atores já consagrados no cinema como Kyle MacLachlan e Dougray Scott. Seu personagem, Eddie Britt, originalmente criado como vilã da série ganha cada vez mais espaço no seriado, despertando até mesmo a simpatia (e pena) do público, sobretudo no final da temporada. O inverso acontece com a personagem de Teri Hatcher, que novamente não tem muito a fazer, a não ser funcionar como alivio cômico.

Em suma, Desperate Housewives consegue manter seu charme em meio a tantos seriados que seguem a tendência atual da televisão de criticar o american way of life. Continua mostrando fôlego e, apesar de um ou outro escorregão, permanece acima da média do que é exibido na televisão. E, de quebra, Felicity Huffman é, sozinha, melhor que o elenco inteiro de um The O.C da vida e o trabalho da atriz justifica o preço da temporada em DVD.